Jornalista José Salim celebra 80 anos de vida nesta quinta-feira

O jornalista José Salim Rosas completa exatos 80 anos nesta quinta-feira (dia 5)

O jornalista José Salim Rosas, um dos profissionais da imprensa mais respeitados do Maranhão, completa exatos 80 anos de idade, nesta quinta-feira (5 de março). Homem simples, talentoso, Zé Salim tem o dom quase divino de redigir um texto perfeito, insuperável. Dono de sólida cultura, ele é um profissional raro nos dias de hoje. Metódico, obstinado, exigente, mas tolerante e muito sincero. Ele escreveu este artigo para marcar data tão importante:

 

 

80 anos: meus quatre-vingts

 

José Salim*

 

          Registro esta manifestação, à guisa de testamento profissional (dado que o do direito sucessório espero que demore), para celebrar minha chegada aos 80 anos (meus quatre-vingts). A expressão aqui anotada, oriunda da civilização celta/gaulesa, deve ter sido idealizada para amenizar o volume de tempo transcorrido e diminuir o impacto deste mesmo tempo na existência humana.

Confesso que não visualizei chegar a temporada tão longa de vida, de tal modo que não planejei qualquer evento comemorativo destinado a confraternizar com os que convivo. Principalmente com meus consanguíneos. Quando muito pretendo reuni-los numa cerimônia religiosa para o obrigatório agradecimento a Deus pela abençoada longevidade.

Quando me refiro a testamento profissional duas situações se me apresentam: a atividade rádio-jornalística e a advocatícia. A primeira exercida com plenitude, entre os nove e os 12 anos de idade e dos 16 em diante, em definitivo; a segunda, descumprida por inteiro, com formação acadêmica básica longeva, muito além do calendário básico para a conclusão do curso, e ignorada profissionalmente após a conquista do grau.

Reconheço que a providência divina deu-me armas para melhor aproveitar a existência. Concedeu-me o carinho dos familiares, a empatia de muitos que me cercam, a admiração da maioria dos conhecidos e, principalmente, a capacidade de conduzir, com diplomacia (sonhei um dia ser diplomata), os muitos “perrengues” (permitam-me o popularesco) que enfrentei… e ainda enfrento. Neste caso, “graças” à dispersividade (permitam-me o neologismo) com que elaborei minha agenda de vida.

Otacília e José Rosa cuidaram da primeira formação, de 5 de março de 1946 até os 24 anos, quando me estabeleci em família, assumindo Yeda Stela como companheira (1970). Foram 52 anos de convivência, até a morte arrebatá-la em 2022. Pratearam-na os filhos Salim Jr., Anna Tércia (por adoção informal) e Pedro Augusto. Não conheceu o bisneto Vicente, mais recente integrante do clã.

Na trajetória cabe-me profunda gratidão a Moacyr Neves, que me descobriu para o rádio nos anos 1950; a José Sarney, que me abriu as portas do serviço público nos anos 1960; a Elvas Ribeiro (Parafuso), Lauro Leite, Bernardo Almeida, Raimundo e Magno Bacelar, Ribamar Bogéa (sim, fui colunista do Jornal Pequeno nos anos 1970), que me assentaram no mercado de trabalho na iniciativa privada. Luiz Rocha e Ribamar Fonseca, cujo comissionamento deu-me a aposentadoria no serviço público.

A considerar, ainda, a saudável convivência com companheiros da labuta diária de periódicos e veículos importantes (Sistema Mirante – O Estado do Maranhão, Diários Associados – O Imparcial e Rádio Gurupi; Timbira, Difusora, Ribamar e Educadora, de cuja equipe fundadora participei). Hoje aposentado, ainda me exercito, como digo “para manter os neurônios em atividade”.

Ainda a lamentar, além da perda da companheira, o inaproveitamento da atividade advocatícia, cuja formação demandou longos anos para um injustificável abandono. Quando alego indisposição para o feito, constato que o comportamento foi de puro descaso. Muitos há que conciliam os dois mercados, sem qualquer prejuízo de um ou de outro exercício.

A celebrar o nascimento do irrequieto Vicente, bisneto, que me oportuniza ofertar a atenção e o carinho que pouco dediquei aos filhos e aos netos; o teto próprio que me acolhe; a saúde sem grandes ameaças; e a paz espiritual que reincorporei, voltando aos primados da adolescência, quando sonhei em ser religioso (fui coroinha). Circunstância que favorece minha existência provecta.

Chego aos 80 amparado pela graça e bênção da Mãe-Rainha (integro o Terço dos Homens), pela proteção de São José (que me identifica onomasticamente), rogando ao Criador mais 20 anos para resgatar muito do que dilapidei e honrar mais as qualidades que me foram doadas. Utilius tarde quam nunquam (Antes tarde do que nunca)

 

*José Salim é radialista, jornalista e advogado (sem banca)

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